Primeiro foi na pandemia. Quando a economia quase parou em função da necessidade de isolamento social, a construção civil também sentiu o golpe, mas rapidamente se tornou novamente a grande mola propulsora do país, evitando um tombo ainda maior do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro nos últimos dois anos. 

Em 2022, o setor vinha em ritmo lento, em desaceleração, após a disparada nos preços dos insumos e a queda na renda da população. Mesmo assim, previa crescer 3,5% até dezembro. 

Na semana passada, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) divulgou uma nova estimativa, agora de 6%, conforme o estudo “Desempenho Econômico da Indústria da Construção – terceiro trimestre de 2022”, em parceria com o Senai Nacional.

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De acordo com a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, o setor surpreendeu e deve registrar incremento de 6% em seu Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. “Depois de registrar alta de 9,7% em 2021, era esperado um crescimento de 3,5% neste ano. Entretanto, os números já conhecidos do segundo semestre levaram a uma forte revisão de estimativa. Dessa forma, a construção registrará o segundo ano consecutivo de alta superior à economia nacional, o que não acontecia desde 2012/2013”, disse Ieda.

A economista da CBIC também celebrou os números acumulados de 2021 e 2022. O crescimento no período será de 16,28%/. “É o melhor desempenho desde o período 2010/2011, quando o setor cresceu 22,37%”, destacou.

O estudo apontou que os resultados do PIB da construção civil no 2º trimestre de 2022 superaram os da economia nacional em todas as bases de comparação e mostraram que o setor apresenta alta há oito trimestres consecutivos. O resultado acumulado em quatro trimestres, comparado com os quatro trimestres anteriores, mostra um crescimento do segmento de 10,5% contra 2,6% do PIB do país.

O levantamento da CBIC evidencia que desde o 3º trimestre de 2020 o setor vem apresentando números positivos, como resultado do ciclo de negócios em andamento, originado com o incremento das atividades do mercado imobiliário no 2º semestre de 2020. “Com a chegada da pandemia no Brasil as famílias ressignificaram o valor da casa própria. Assim, os lançamentos imobiliários e as vendas cresceram, trazendo um maior dinamismo para a atividade setorial. Como o ciclo de produção é longo, ainda assistimos o incremento das atividades em função disso”, afirmou a economista.

De acordo com o levantamento, o setor superou o patamar de atividades pré-pandemia, mas ainda está longe de alcançar o seu pico de atividades. O nível atual é de 12,5%, superior ao registrado no final de 2019, e também 24,9% maior do que o observado no 2º trimestre de 2020, quando a pandemia efetivamente se instalou no Brasil.

“Apesar do desempenho positivo, o setor ainda está com nível de atividades 23,69% inferior ao pico registrado no início de 2014. Já a economia nacional está 0,3% inferior ao seu maior patamar, também alcançado no início de 2014. Considerando a alta de 6% para a construção, em 2022, o setor ainda acumulará queda de 21,59% no período 2014-2022. Ou seja, a construção ainda precisa avançar muito para recuperar o seu ritmo de atividades”, disse a especialista.

José Carlos Martins, presidente da CBIC, destaca a capacidade produtiva do setor e a importância de o novo governo eleito incentivar a construção. “Estamos com o melhor desempenho dos últimos 10 anos, apesar de ainda estarmos abaixo do que já fomos. Temos muitos desafios pela frente, como dar continuidade aos programas habitacionais, deslanchar a infraestrutura, fomentar a infraestrutura de menor investimento, a reforma administrativa, entre outras medidas que podem incentivar o setor que é a âncora da economia nacional”, disse.

Para Martins, a estimativa de crescimento do PIB do setor em 6% reforça a relevância da construção para o desenvolvimento sustentável do país. “Novamente os números confirmam nossas expectativas e impressionam pela consistência. Quando o Brasil nos dá condição, respondemos com geração de renda, estabilidade social, melhoria da qualidade de vida das pessoas”, enfatizou.

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