CBIC fala dos problemas, perspectivas e demandas para 2023.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) publicou em seu site entrevista dada por seu presidente, José Carlos Rodrigues Martins, ao blog de notícias da entidade. Martins expõe, na publicação, as dores do setor e se diz preocupado com o que considera falta de propostas concretas por parte dos candidatos à Presidência. Veja a entrevista:

Qual a principal questão do setor para o próximo governo?

José Carlos Rodrigues Martins – É indiscutível que a principal questão é como voltar a ter capacidade de investimento. Tem um orçamento de R$ 5 trilhões, do qual foi destinado ao programa Casa Verde e Amarela R$ 83 milhões e R$ 2 bilhões para o Dnit fazer e conservar estradas. Nesse patamar de investimento, não tem continuidade de programas e atendimento às demandas sociais. Jogaram tudo para emendas parlamentares. Com isso, acabaram-se as políticas de Estado, virou uma política paroquial.

É o chamado orçamento secreto?

Não só, falo de todas as emendas. Tem R$ 40 bilhões e o orçamento secreto é de R$ 19 bilhões, é mais ou menos a metade para cada. Tem os outros R$ 20, são as emendas de bancada, de deputado e senador. Tem R$ 800 milhões em carteira para investimentos em infraestrutura. Só nas rodovias Dutra e Rio-Santos são R$ 30 bilhões de investimento.

Está faltando muito dinheiro para investimento no país?

Tem um buraco. O projeto estruturante está se desenvolvendo, foram feitas muitas concessões à iniciativa privada, mas esse meio, onde vivemos, tem zero de investimento. O Brasil deixou de ter uma política de habitação desde o BNH, na década de 80, e voltou a ter em 2009, com o Minha Casa, Minha Vida.

Falta uma política séria de habitação?

Claro. Nesse vácuo de mais de 20 anos, as favelas inflaram no Brasil inteiro. As pessoas continuam nascendo, se separando e se casando. O crescimento da população é vegetativo, independe de política econômica. Isso está totalmente relegado a segundo plano.

Como o senhor avalia as propostas dos principais candidatos a presidente?

Já falei sobre isso com as quatro equipes. Nenhuma delas atende, nenhuma delas dá solução. Ninguém quer o Brasil em descontrole econômico. No fim do governo Dilma, tínhamos 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada. Caímos para 2 milhões, perdemos um terço da nossa força de trabalho em dois anos. Imagine o desastre.

O Brasil está em situação fiscal difícil. Como financiar a habitação, a infraestrutura, as grandes obras, com investimento público?

A concessão está bem economicamente. O que não para em pé é uma estrada vicinal. É a coisa menor, a coisa que você, como cidadã, dentro da tua cidade, precisa. Ou a casa para uma pessoa que não tem cadastro para pegar financiamento na Caixa Econômica. Tem coisas que, não adianta, como em qualquer lugar do mundo, é o setor público que faz.

São áreas onde o setor privado teria risco ou não teria retorno financeiro?Em qualquer lugar do mundo é assim. Na Europa, casa para refugiados é com o setor público, o que equivale a uma invasão em área de risco no Brasil. Como vai pegar uma família que está em uma palafita, em um lugar degradado, como tirar ela dali se ela não tem capacidade? Estamos há alguns anos sem contratação nova, chegamos ao cúmulo de aquelas obras que pararam na época da Dilma por falta de pagamento e que foram retomadas no governo Bolsonaro, correrem o risco de parar de novo porque o Orçamento do ano que vem foi cortado. O nosso setor, como todo setor de investimento, como todo setor âncora para a economia, precisa de um mínimo de previsibilidade porque o investimento escapa. Todo mundo fala em reforma tributária, mas a reforma administrativa tem que vir antes. Onde já se viu resolver como vai pagar e não saber o que está pagando.

É mais urgente ter uma organização melhor do Orçamento com a reforma administrativa antes da tributária?

Com a reforma administrativa, se você reduz o custo do Estado ao longo do tempo, você consegue ter flexibilidade para negociar a tributária.

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